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"Fragmentos sobre as relações
nipo-brasileiras no pós-guerra"
Brasil
e Japão, um tema apaixonante. O Japão
foi e deverá continuar sendo um grande parceiro
do desenvolvimento do Brasil. Desde o começo
do século XX, enviou-nos um importante contingente
de mão-de-obra da melhor qualidade - os imigrantes
que para cá vieram e deram uma contribuição
decisiva à melhoria do padrão tecnólogico
de nossa agricultura. Ajudou-nos a diversificar a produção
de bens destinados ao nosso consumo interno e a ampliar
nossas exportações.
No
pós-guerra, associou-se conosco na aventura de
arrancar das entranhas de nossa rica natureza os bens
que poderiam contribuir para a melhoria do bem-estar
de nossa população e ajudar a superar
as sempre presentes limitações do setor
externo, para o desenvolvimento mais acelerado de nossa
economia. Não só no campo econômico,
mas principalmente pelo elevado valor que sempre deu
ao capital humano, contribuiu para valorizar a educação
entre nós.
Juntos
ousamos ampliar nossos horizontes com a revolução
do sistema de transporte de granéis em grandes
volumes, a longas distâncias, um exemplo que frutificou
no comércio internacional. Em nossos momentos
difíceis, como os decorrentes das crises de petróleo
e da liquidez internacional, sua mão amiga estendeu-se
ao Brasil, inclusive de forma criativa. E quando o Brasil
encontrou dificuldades na geração de empregos
para os jovens, acolheu os nossos dekasseguis, completando
todo o ciclo de cooperação. Eles hoje,
com seus grandes sacrifícios pessoais, ajudam
a superar as limitações de nossas contas
externas.
São
lições de um trabalho duro e persistente,
que ajudou a estabelecer amizades pessoais. Aflora à
minha lembrança a figura do professor Hagumu
Nishio, orientando-nos pelos labirintos dos sebos de
Kanda, os mais limpos e bem organizados do mundo, para
localizar preciosidades que registram a acumulação
do conhecimento humano ao longo da história.
A
presente coletânea nos dá a oportunidade
de partilhar com outros leitores a experiência
vivida nestas relações nipo-brasileiras.
Antonio Delfim Netto
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