A
FORÇA DA VOCAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO
DAS PESSOAS E DOS POVOS
É
difícil exagerar a importância da vocação
como fator basilar da felicidade e prosperidade dos
indivíduos e, por extensão, da sociedade
em que vivemos: trata-se de tema inescapável
para todos os profissionais da educação
no Brasil. Nesse sentido, por sua abrangência
e profundidade, A FORÇA DA VOCAÇÃO
NO DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS E DOS POVOS já
nasce clássico.
Empresário, advogado e ex-deputado federal, Joaci
Góes, que já demonstrara seu dom ensaístico
e sua erudição nos livros Anatomia
do ódio e A inveja nossa de cada dia,
também editados pela Topbooks, enfrenta e supera
aqui, com louvor, dois desafios: o do inventário
rigoroso dos principais temas ligados à educação
e às práticas pedagógicas e o da
reflexão original sobre a missão do educador,
dos pais, da escola e do poder público.
Com
frequência, em vez de seguirem a vocação,
os indivíduos escolhem seus rumos profissionais
influenciados por terceiros ou por motivações
equivocadas, o que leva, invariavelmente, à improdutividade
e à frustração, em lugar do prazer
e da realização. Por isso, afirma o autor,
o primeiro e fundamental trabalho da pedagogia –
na família, na escola, no trabalho e na sociedade
– consiste em promover as condições
favoráveis ao encontro de cada indivíduo
com sua vocação. Foi a partir desse encontro
que gênios como Michelangelo, Shakespeare e Mozart
puderam ampliar os horizontes do mundo. Numa abordagem
multidisciplinar, Joaci Góes demonstra que a
resultante coletiva da pouca atenção dada
à vocação é a pobreza, a
violência, a desigualdade e diferentes formas
de desajustamento social.
Mais
que um livro, trata-se da formulação de
um programa político para a educação,
a um tempo simples e ambicioso. O autor não se
limita à reflexão abstrata e à
reconstituição histórica: analisa
também casos concretos de sucesso, como o modelo
finlandês e a revolução educacional
da Coreia do Sul, país que reconheceu a importância
do ensino como agente promotor do desenvolvimento –
um exemplo estratégico a ser seguido se quisermos
enfrentar os desafios impostos pela globalização
e ingressar definitivamente na chamada Era da Informação.
Joaci
Góes toca também em temas delicados que
precisam ser enfrentados, como a baixa remuneração
dos professores do ensino público no Brasil –
enfatizando a urgência de novas instituições
capazes de valorizar o magistério, a partir da
adoção de critérios meritocráticos
– e as necessidades específicas da educação
de crianças especiais, que exigem programas diferenciados.
Igualmente dedica atenção ao papel dos
pais, os maiores responsáveis no direcionamento
do interesse dos filhos: num mundo de tanta diversidade
e em constante transformação, cabe a eles
orientar os jovens a fazer escolhas conscientes e bem
informadas.
Dez
anexos complementam o texto, incluindo uma análise
detalhada da contribuição dos grandes
educadores para a pedagogia ao longo dos séculos,
de Wolfgang Ratke e Comenius a Ivan Illich e Jean Piaget.
Ricos em conteúdo, os anexos sistematizam informações
e ideias a respeito de aspectos relevantes da educação
de forma inédita na literatura sobre o assunto:
cada um deles seria suficiente para compor, isoladamente,
um pequeno livreto, muito útil a pais, educadores
e instituições de ensino.
A
educação, conclui Joaci Góes, é
o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade,
entre o atraso e o desenvolvimento. Ao final da leitura,
saímos convencidos de que, se não processarmos
depressa as necessárias mudanças na educação
brasileira, estaremos irremediavelmente condenados a
ser, apenas, o país de um futuro que nunca chega.
Luciano Trigo
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