AS
DUAS ESPANHAS E O BRASIL
O
livro de Tarcísio Costa é de enorme
interesse pela análise profunda e bem documentada
que faz das relações entre a Espanha e
a América Latina e, especialmente, dos vínculos
com o Brasil. Por ter acompanhado o tema no exercício
de função pública e, mais tarde,
também no setor privado, estou convencido de
que o traço que distingue as relações
entre a Espanha e o Brasil é seu forte amparo
nos respectivos setores privados. Isto sem prejuízo
dos vínculos cada vez mais estreitos nas áreas
política e social, até porque as relações
são vistas por ambos os governos como “política
de Estado”, traduzida em ampla agenda bilateral
e multilateral.
Não
causa surpresa o rumo tão promissor que se delineia
nos laços entre os dois países. As economias
do Brasil e da Espanha hoje estão entre as doze
maiores do mundo. Em 2007, o Produto Interno Bruto brasileiro,
em termos de paridade de poder de compra, foi o décimo
do mundo, e o da Espanha, o décimo segundo. Em
valor de mercado, ocuparam posições invertidas,
já que o euro se havia valorizado em relação
ao dólar mais do que o real.
O
Brasil e a Espanha necessitam um do outro, e de maneira
crescente. A tendência, de fato, é que
as relações ganhem em ritmo e amplitude,
muito por conta do que se espera do Brasil. O país
pode ser, em 2050, a quarta potência mundial,
logo após China, Estados Unidos e Índia,
superando a Alemanha antes de 2030 e o Japão
até 2040. Estará situado também
à frente de México, Rússia e Indonésia.
Felicito
o autor pela forma clara e sólida com que expõe
as distintas fases da política exterior da Espanha
nos últimos cinquenta anos, e o impacto dessa
evolução nos laços com o Brasil.
Guillermo de La Dehesa
Presidente do Instituto de Empresa de Madri e ex-Secretário
de
Estado de Economia da Espanha na gestão de Felipe
González
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