| "Os
franceses no Maranhão", de Vasco Mariz e
Lucien Provençal
Este
livro de VASCO MARIZ e LUCIEN PROVENÇAL vem trazer
contribuição oportuna aos estudos sobre
a segunda tentativa francesa de instalar-se nas possessões
americanas do rei de Portugal. A historiografia da presença
francesa no Maranhão, em começos do século
XVII, foi sempre a prima pobre da historiografia da
presença francesa no Rio de Janeiro, cerca de
meio século antes. E, contudo, a França
Equinocial não representa uma experiência
menos rica e significativa do que a França Antártica.
Se esta nos deu o testemunho de Jean de Léry,
o episódio maranhense legou aos historiadores
e aos antropólogos as narrativas de Claude d’
Abbeville e de Yves d’ Évreux.
Se
uma fundou o Rio de Janeiro, a outra deu o nome à
cidade de São Luís, que ficou definitivamente
associada – com ou sem razão – aos
grandes reis Bourbon do século XVII. A atenção
maior que a França Antártica atrai entre
nós resultou, principalmente, do papel que, séculos
depois, o Rio de Janeiro viria a desempenhar na história
brasileira como capital do Império e da República.
No
decurso de uma longa carreira diplomática, que
o levou a vários postos na Europa e na América,
Vasco Mariz não se contentou em cumprir com as
obrigações da função. Recusando-se
a sacrificar o melhor do seu tempo à liturgia
insossa da vida diplomática, dedicou-se com afinco
aos estudos de musicologia e de história da música,
que cultiva desde muito jovem, antes mesmo de ingressar
na casa do barão do Rio Branco. Nessa área,
ele tem respeitável bibliografia, onde ressaltam,
para citar apenas alguns títulos, o Dicionário
biobibliográfico musical, A canção
de câmara no Brasil, A canção
brasileira, História da música
no Brasil, Música clássica brasileira
e a biografia de Villa-Lobos (traduzida para o inglês,
francês, italiano, russo e castelhano).
Nos
últimos anos, Mariz emigrou de sua área
de especialização para adentrar na história
das relações entre a França e o
Brasil desde os remotos princípios do século
XVI, quando os franceses começaram a aparecer
nas nossas costas, a emprenhar índias e exportar
pau-brasil. Com Lucien Provençal, oficial da
Marinha francesa, publicou no ano 2000 Villegagnon
e a França Antártica, e em 2006 uma
coletânea de estudos intitulada Relações
históricas Brasil-França no período
colonial. Reuniu igualmente em livros seus estudos
históricos. OS FRANCESES NO MARANHÃO,
que o leitor tem agora em mãos, é a conclusão
deste périplo historiográfico em que os
autores exploram, passo a passo, as peripécias
da ocupação francesa naquela parte do
Brasil.
EVALDO CABRAL DE MELLO
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