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O
11 de setembro dos portugueses
Primeira
leitura brasileira sobre o grande terremoto que destruiu
a capital portuguesa, O mal sobre a terra - Uma história
do terremoto de Lisboa é fruto de quatro anos de
pesquisas de sua autora, Mary del Priore. Num texto
ágil, com sabor de romance policial, a historiadora
nos revela a tragédia que se abateu sobre a capital
portuguesa na manhã de 1 de novembro de 1755, quando
o povo, maciçamente católico, comemorava o dia de Todos
os Santos. Por conta das muitas velas acesas nas igrejas
e nas casas, ao terremoto seguiu-se um incêndio de enormes
proporções. E muitos países vizinhos foram afetados
também, seja por abalos sísmicos de menor intensidade,
seja por conseqüências do maremoto que o tremor de terra
provocou.
Todos
os detalhes dessa fascinante e triste história são contados
através dos depoimentos de sobreviventes, como é o caso
de Jacome Ratton, que veio a se tornar uma das mais
importantes e reveladoras testemunhas do fato. Como
diz o texto de quarta-capa do livro: "Levando a sério
toda a poeira de informação a fim de reconstituir trajetos
individuais, sociais e simbólicos, Mary del Priore analisa
os múltiplos significados do sismo a partir dos depoimentos
dos sobreviventes, (...) e atenta colher o que Michel
Foucault chamou de 'o grão dos dias', aquele que se
espalha pelos documentos como farinha opaca".
Em
junho último, este novo lançamento da editora Topbooks
ganhou duas páginas elogiosas (além de chamada de primeira
página) no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo.
Em conversa com a jornalista Rachel Bertol, Mary del
Priore contou que, "através do relato de Ratton, o leitor
vai entrar na cidade, assistir ao terremoto e saber
o que aconteceu depois. Jovem filho de ricos comerciantes
portugueses, no momento do terremoto ele aguardava,
em casa, um cliente que jamais chegou. Nós o reencontramos
ao fim do livro, quando conta seu infortúnio: entusiasta
do marquês de Pombal, Ratton tentou, em vários momentos,
fazer negócios com esta importante figura do reino de
Portugal à época de dom José I. Mais tarde, identificado
com o grupo pombalino quando o primeiro-ministro caiu
em desgraça, foi expulso do país e morreu em Londres".
Mary
del Priore foi professora de História do Brasil na USP
(SP) e na PUC (RJ). Autora de 17 livros, recebeu por
duas vezes o Prêmio Casa-Grande & Senzala, da Fundação
Joaquim Nabuco, e ganhou um Prêmio Jabuti para obra
de relevo em Ciências Sociais. Colabora com revistas
científicas nacionais e internacionais, além de assinar
crônicas no jornal O Estado de S. Paulo. Entre
2000 e 2002, dirigiu a Coordenação de Divulgação e Difusão
de Informações do Arquivo Nacional, e atualmente dedica-se
a atividades editoriais e projetos que envolvam ensino
à distância.
Na
apresentação de O mal sobre a terra, a historiadora
Maria Yedda Linhares destaca em Mary del Priore a "sensibilidade,
estilo, bom gosto e domínio seguro da historiografia
pertinente, bem como da documentação arquivística arrolada
na Europa" (leia
texto de apresentação). Se você estiver interessado
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