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Liberty Classics

A crise do século XVII – Religião, a Reforma e mudança social
Hugh Trevor-Roper
ISBN: 978-85-7475-140-5; 699 pgs; R$ 78,90

— Professor de história na Universidade de Oxford durante 23 anos, Trevor-Roper (1914-2003) analisa aqui, em nove textos produzidos entre 1956 e 1967, a Guerra Civil, a Restauração e a Revolução Gloriosa na Inglaterra, investigando as transformações da sociedade européia e suas implicações culturais numa época em que a caça às bruxas foi um acontecimento central, não apenas do ponto de vista religioso como do político. Alguns ensaios refletem a influência de historiadores franceses como Fernand Braudel e Marcel Bataillon, que despertaram seu interesse pelos primórdios da modernidade no continente, deslocando o foco da reflexão historiográfica do campo da economia para o das idéias. Para o historiador Peter Burke, "Trevor-Roper foi um mestre do ensaio histórico: sempre original, pessoal e provocativo, levantando, em poucas páginas, grandes questões que os scholars continuam a debater décadas mais tarde. Um de seus melhores textos é 'Religião, a Reforma e mudança social' [primeiro ensaio deste livro], uma crítica da Contra-Reforma, originalmente apresentada como conferência na Irlanda diante de uma audiência largamente clerical". Tradução: Julio Castañon Guimarães

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A história das origens do governo representativo na Europa
François Guizot
ISBN: 978-85-7475-139-9; 827 pgs; R$ 87,90

— Dividido em duas partes – a primeira intitulada "Instituições representativas na Inglaterra, na França e na Espanha, do século V ao século XI" e a segunda "Ensaios sobre o governo representativo na Inglaterra, desde a Conquista até o reinado dos Tudors" – este livro reúne 51 palestras feitas pelo político, filósofo e historiador na Sorbonne, em Paris, entre 1820 e 1822, e publicadas em francês três décadas mais tarde. Ao refletir sobre as origens do governo representativo, François Guizot introduziu um novo vocabulário e um método investigativo que formaram uma filosofia política original: segundo ele, as instituições políticas dependem das condições sociais, e não é possível entender as instituições de um determinado país ou período histórico sem conhecer a condição do povo e a natureza da propriedade. Nesta obra, ele combina capítulos narrativos, cheios de detalhes históricos, com capítulos teóricos onde reflete sobre os princípios, metas e instituições dos governos representativos. Outros temas importantes aqui tratados são: o constitucionalismo e o poder restrito, a soberania da razão, o bom governo, a relação entre capacidade política e direitos políticos, a evolução do Parlamento inglês, os pré-requisitos de um sistema eleitoral sólido e o papel da religião no progresso da civilização européia. Com introdução e notas de Aurelian Craiutu, da Universidade de Indiana, este A história das origens do governo representativo na Europa, que na edição americana ganhou tradução de Andrew R. Scoble do francês para o inglês, sai agora no Brasil traduzido por Vera Lucia Joscelyne.

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A lógica da liberdade / Reflexões e réplicas
Michael Polanyi
ISBN: 85-7475-073-5; 313 pgs; R$ 40,00

— De uma família de ilustres cientistas na Hungria, o químico Michael Polanyi (1891-1976) experimentou em primeira mão os horrores do totalitarismo e das duas guerras mundiais (serviu como médico do exército austro-húngaro na primeira), o que determinou em parte a sua contestação a qualquer modelo social centralizado e planificado de maneira supostamente científica. O interesse de Polanyi pela vida política na Europa se intensificou nos anos 30, quando a civilização tremia ante as ameaças do futuro, e se consolidou nos anos 40, quando os europeus passaram a olhar melancolicamente para o passado. Os ensaios reunidos em A lógica da liberdade (1951) representam os esforços renovados do autor “para esclarecer a posição da liberdade em resposta a diversas questões levantadas por nosso conturbado período da História”. Polanyi combatia a visão instrumentalista e pragmática da ciência então em voga, por acreditar que ela ameaçava a liberdade pública e perdia de vista os mistérios da existência. Essa relação entre a ciência e liberdade, entre a ideologia e a pesquisa, é o ponto de partida dessa obra e da correspondência que Polanyi manteve com economistas e intelectuais como F. A. Hayek, John Maynard Keynes e T. S. Eliot.

Introdução: Stuart D. Warner. Tradução: Joubert de Oliveira Brízida.

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A perfectibilidade do homem
John Passmore
ISBN: 85-7474-082-4; 689 pgs; R$ 75,00

— O filósofo e cientista político John Passmore realiza, neste livro de 1970, um ambicioso balanço das diversas formas de se interpretar os conceitos de perfeição e perfectibilidade ao longo da História, desde os antigos gregos aos dias atuais, passando pelo cristianismo, o Renascimento, o Iluminismo, o anarquismo, as utopias, o comunismo e as teorias evolucionistas do homem e da sociedade. O autor recorre não somente a obras filosóficas e teológicas mas também a literárias, como os romances de George Orwell e Zamiatin. Nascido na Austrália em 1914, Passmore traça neste livro um panorama amplo e refinado no qual explora as variações do conceito de perfectibilidade do homem e as diferentes conseqüências da idéia de que indivíduo e sociedade podem ser aperfeiçoados, aí incluídas as conseqüências negativas — das quais o turbulento século XX é fértil em exemplos — muitas vezes catastróficas para as liberdades e responsabilidades individuais e para o destino político e econômico das nações. E mostra como a ação social e o progresso científico se tornaram caminhos para o aperfeiçoamento do homem. Obra profunda e incisiva, nem por isso deixa de ser acessível ao leitor comum, por conta de sua linguagem clara e distante do jargão acadêmico.Tradução de Jesualdo Correia.

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Cartas
Jacob Burckhardt
ISBN: 85-7475-072-7; 416 pgs; R$ 46,00

— Jacob Burckhardt (1818-1897) considerava a beleza e a liberdade os dois valores fundamentais da existência humana, e a tentativa de estabelecer um vínculo entre eles está presente em toda a sua obra, sejam os textos teóricos sobre a História da Arte, sejam as cartas escritas ao longo de quase 60 anos, que refletem uma impressionante coesão de pensamento. Defensor da moderação, esse historiador suíço de expressão alemã era pessimista em relação aos grandes fenômenos sociais de seu século: a democracia de massa, o igualitarismo e o culto do crescimento econômico e do progresso. Filia-se, nesse sentido, à tradição de liberalismo aristocrático de Edmund Burke, Alexis de Tocqueville e Ortega y Gasset. Endereçadas a alguns dos mais importantes pensadores da sua época, entre eles Friedrich Nietzsche, estas Cartas tratam com entusiasmo de temas que mobilizavam os debates intelectuais nas mais diversas áreas: arte, arquitetura, história, poesia, música, religião. Burckhardt fez do indivíduo o centro de suas investigações: para ele, grandes personalidades podem alterar o rumo de épocas inteiras. Ao mesmo tempo, acreditava que as culturas amadurecem e entram em declínio como tudo na natureza. Daí a descrença no progresso histórico, na contracorrente do otimismo que prevalecia na época, e a rejeição ao sistema hegeliano, segundo o qual a História expressa a realização de um espírito absoluto. Sua defesa das verdadeiras e vigorosas raízes espirituais da liberdade e seu elogio da beleza continuam na ordem do dia.

Seleção e edição: Alexander Dru.Introdução à edição brasileira: Luiz Costa Lima. Tradução: Renato Rezende

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Conferências sobre retórica e belas-letras
Adam Smith
ISBN: 978-85-7475-144-3; 477 pgs; R$ 54,90

— Descobertas em 1958 por John M. Lothian, professor da Universidade de Aberdeen, as Notas das conferências do Dr. Smith sobre retórica e belas-letras consistem na transcrição manuscrita, em dois volumes, feita por uma dupla de alunos, das aulas que Adam Smith (1723-1790) proferiu na Universidade de Glasgow, em 1762-63. São 29 conferências sobre oratória, eloqüência e os diferentes tipos e características de estilo, nas quais o autor investiga as “diversas formas de comunicarmos nossos pensamentos por meio da palavra”, além de examinar os “princípios das composições literárias que contribuem para persuadir e entreter”. Segundo Peter France, Smith “considerava o estilo como a expressão natural dos sentimentos e da natureza individual do autor. Isso significa que, assim como na doutrina clássica, as circunstâncias, o gênero do discurso e a intenção do orador ou escritor também contribuem para determinar o estilo de uma obra, mas agora a tipologia dos estilos (disperso, conciso, nervoso, fraco etc.) se baseia, sobretudo, na psicologia. (...) A retórica de Smith se quer “natural” e funcional, livre de toda afetação. Ele debocha daqueles que se utilizam de tropos e figuras de linguagem descritas nos manuais, que qualifica de ‘uma série de livros muito bobos e nem um pouco instrutivos’.” Na opinião de James Moore, um dos mais interessantes aspectos destas Conferências “é que elas nos ajudam a compreender melhor as origens dessa sistemática preocupação do ser humano com os sentimentos e suas formas de expressão. (...) Na análise dos discursos de Demóstenes e de Cícero, mais uma vez é notável o destaque dado por Smith não à sua estrutura, mas à maneira pela qual esses discursos se mostram adequados às crises de âmbito civil e comercial vigentes nos últimos anos da democracia ateniense e da república romana”. Nesta edição brasileira, a tradução é de Rebeca Schwartz.

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Democracia e liderança
Irving Babbitt
ISBN: 85-7475-074-3; 400 pgs; R$ 42,00

— Quando Democracia e Liderança foi publicado em 1924, o crítico Herbert Read afirmou, com justiça, que a motivação de Irving Babbitt (1865-1933) era “o restabelecimento de padrões humanistas no lugar das confusões utilitárias humanitárias ou românticas”, então muito em voga. O livro tornou-se um marco do pensamento político moderno, o mais representativo do pensador da cultura e ensaísta americano, que não deixou uma obra extensa porque gastou grande parte da sua vida em controvérsias públicas, contestando os valores e convicções mais arraigados nos meios acadêmicos de sua época e atacando filósofos como Rousseau, Francis Bacon, Karl Marx e John Dewey. Babbitt nunca hesitou em remar contra a corrente dos movimentos intelectuais de seu tempo, submetendo a exame crítico implacável todas as convicções morais e estéticas de seus contemporâneos. Combateu o marxismo, o freudismo, o instrumentalismo e o naturalismo. Desdenhava o sucesso fácil e a popularidade. Já na estética, opôs-se violentamente às diversas doutrinas que defendiam a arte pela arte, afirmando o propósito moral e a dimensão ética da experiência artística. Como teórico da educação, combateu com fervor a decadência da universidade americana. Seu diagnóstico da erosão dos padrões éticos e culturais da América e sua defesa do autodomínio moral contra o culto à despreocupação são temas que permanecem atuais.

Prefácio: Russell Kirk. Tradução: Joubert de Oliveira Brízida

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Ensaios morais, políticos e literários
David Hume
ISBN:85-7475-081-6; 850 pgs; R$ 93,00

— As implicações do pensamento do escocês David Hume (1711-1776) são unanimemente reconhecidas como revolucionárias. Seu empirismo cético engendrou problemas filosóficos que subverteram as correntes dominantes do pensamento ocidental da época, influenciando os rumos da história, da política, da demografia, da economia, da literatura, da moral e da estética. Sua independência o fez questionar as mais arraigadas convicções do cristianismo e das ciências naturais de seu tempo, e até mesmo o projeto cartesiano de conciliação entre ciência e religião foi alvo de seus ataques. Para se chegar a uma compreensão correta das idéias de Hume, faz-se necessária a leitura atenta destes Ensaios, que lançam os fundamentos de uma filosofia prática, estreitamente ligada à vida cotidiana. Publicados pela primeira vez em 1741, são textos fluentes, em tom informal, dirigidos fundamentalmente ao leitor comum, que Hume desejava atingir após o fracasso de seu Tratado da natureza humana, por acreditar que o intercâmbio permanente entre os “homens de letras” e os “homens do mundo” era benéfico para todos. Essa aproximação entre filosofia e cotidiano é uma das principais contribuições dos escritos aqui reunidos.Edição, prefácio e notas: Eugene F. Miller Introdução à edição brasileira: Renato Lessa / Tradução: Luciano Trigo

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História como história da liberdade
Benedetto Croce
ISBN: 85-7475-129-4; 460 pgs; R$ 54,90

– Na opinião de Evaldo Cabral de Mello, Croce "é o pensador moderno que reatualizou a lição de um dos pais fundadores da filosofia da história, Giambattista Vico"; e, para Otto Maria Carpeaux, esta obra – que a Topbooks lança pela primeira vez em língua portuguesa, numa parceria com o Liberty Fund – "é talvez o mais belo entre muitos livros belos do grande filósofo, historiador e crítico". Segundo Wilson Martins, Croce dizia que 'história como história da liberdade' era expressão muito usada, mesmo por pensadores ilustres, sem no entanto ser inteiramente compreendida: "Sob esta expressão não se trata do nascimento, crescimento e maturidade definitiva da liberdade, porque a história da liberdade é um processo em permanente desenvolvimento, sem começo nem fim. Vivendo sob um regime fascista – do qual, aliás, foi o opositor mais eminente – Croce sabia do que estava falando", completa Martins. “A história”, escreve Croce neste livro, “não é um idílio nem tampouco uma tragédia. É um drama no qual todas as atividades, todos os personagens, todos os ‘componentes do coro’, no sentido aristotélico, são influenciados pelo bem e pelo mal. (...) Esse drama é a obra da liberdade, que está se esforçando para restabelecer as condições sociais e políticas para se tornar mais intensa”. Tradução de Julio Castañon Guimarães.

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O homem racional – Uma interpretação moderna da ética aristotélica
Henry Babcok Veatch
ISBN: 85-7475-122-7; 282 pgs; R$ 45,00

— Primeiro da série de 10 títulos que compõem a segunda etapa da Coleção Liberty Classics, programa de co-edições lançado em 2003 através de parceria entre a Topbooks e o Liberty Fund, de Indianápolis, Estados Unidos. Publicado há mais de quatro décadas, este livro continua sendo uma das melhores obras de introdução à ética, em geral, e à ética aristotélica, em particular. Seu autor, Henry Babcock Veatch, escreve numa linguagem fluente, acessível ao leitor comum, e a todo momento ilustra suas reflexões com exemplos tirados da literatura e da vida cotidiana. Herdeiro de uma longa linhagem de pensadores da tradição do direito natural, Veatch descarta as abordagens relativistas ou céticas, afirmando a possibilidade de um "conhecimento ético" baseado na natureza humana, capaz de determinar o que é certo e errado. O objetivo de uma vida inteligente e racional, que deve nortear a existência de todos os indivíduos, é a premissa para esse conhecimento. Veatch, contudo, discorda de Aristóteles, ao considerar que uma vida contemplativa não é eticamente superior a uma vida de ação, na qual a inteligência é aplicada aos problemas do dia-a-dia. O autor discute, ainda, questões de permanente interesse, como a relação entre imperativos morais e a intolerância, ou a possibilidade de uma ética sem Deus. Com um elucidativo prefácio de Douglas B. Rasmussen, O homem racional foi saudado por Mortimer J. Adler como a melhor interpretação moderna da Ética de Aristóteles. Tradução de Eduardo Francisco Alves.

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Os deveres do homem e do cidadão de acordo com as leis do direito natural
Samuel Pufendorf
ISBN: 85-7475-131-6; 542 pgs; R$ 59,00

— Considerado o verdadeiro "pai" do direito natural moderno, Samuel Pufendorf escreveu, em Os deveres do homem e do cidadão de acordo com as leis do direito natural, um dos primeiros textos a sugerir que as leis derivadas da sociabilidade no Estado civil se assentavam nas convenções sociais, e não em valores transcendentes. O pensador alemão acreditava que, através da equiparação do direito natural com a vontade divina, seria possível entender as normas universais do direito racionalmente, sem necessidade de recorrer à revelação. Nas disputas religiosas, Pufendorf se manifestou firme partidário da tolerância, e, como grande parte do pensamento político do século XVII, sua teoria é uma resposta de índole prática aos horrores da Guerra dos Trinta Anos e à consolidação dos Estados soberanos e mercantis. Mas, como disse o cientista político James Tully, também é "uma resposta intelectual à destruição das tradicionais convicções morais e políticas – aristotélicas, escolásticas e humanistas – provocada pela crise cética inaugurada por Montaigne e Pierre Charron". Este livro, publicado em latim em 1673, teve tradução de Andrew Tooke para o inglês em 1691, e agora, traduzido por Eduardo Francisco Alves, ganha sua primeira edição em língua portuguesa através do convênio entre o Liberty Fund e a Topbooks.

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Os limites da ação do Estado
Wilhelm von Humboldt
ISBN: 85-7475-083-2; 352 pgs; R$ 39,00

— Friedrich Hayek classificou Wilhelm von Humboldt (1767-1835) como “o maior filósofo da liberdade”, e Lord Acton se referiu a ele como “a figura mais importante da Alemanha”. A leitura de, publicado originalmente em 1852, ajuda a entender por quê. Valiosa introdução ao pensamento político liberal clássico, trata-se de um livro crucial para o desenvolvimento do liberalismo na Europa no século XIX. Neste livro — que teve influência decisiva sobre outro ensaio clássico, Da Liberdade, de John Stuart Mill — Humboldt aborda a relação entre a liberdade e o desenvolvimento da personalidade individual, discute a ação do Estado no cerceamento dos cidadãos e sugere instrumentos para frear este papel limitador. Crítico radical de qualquer forma de intervenção estatal na vida dos cidadãos, Humboldt parte do princípio de que todas as regulamentações governamentais contêm algum grau de coação, o que pode levar os homens a esperar orientação e ajuda externa em vez de buscá-las eles próprios. A vida em comunidade é um tema central na sua filosofia política, e é justamente em Os limites da ação do Estado que Humboldt desenvolve seu conceito do homem como um animal social, empenhado em progredir e cultivar-se. Daí a crítica aos grandes Estados, pois o autor estava convencido de que eles impediam o pleno desenvolvimento dos indivíduos. Edição: J. W. Burrow; Introdução à edição brasileira: Denis Lerrer Rosenfield; Tradução: Jesualdo Correia.

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Política
Johannes Althusius
ISBN: 85-7475-075-1; 416 pgs; R$ 43,00

— Importante teórico do consentimento, do contrato, do federalismo e do corporativismo, o alemão Althusius (1557-1638) conciliou idéias bíblicas, aristotélicas e neocalvinistas em um original sistema político, baseado em princípios das leis natural e contratual. A recuperação de seu pensamento se deve, sobretudo, a dois aspectos, sintetizados na Política: sua filosofia do direito e seu federalismo. Apesar da moldura teológica, fundada na religião calvinista, trata-se do primeiro livro a apresentar uma teoria abrangente do federalismo republicano, enraizada no conceito de associação simbiótica e na idéia do consenso. Pensador seminal, Althusius foi resgatado por teóricos alemães que, no século XIX, lutaram pela unificação da Alemanha segundo princípios federativos. Seu pensamento também foi assimilado pelos americanos, que construíram o federalismo moderno com base no individualismo e reintroduziram a idéia do Estado como associação política, mais que como instituição reificada. No século XX, a importância do autor foi observada pelo teórico liberal alemão Carl Friedrich, que em 1932 relançou a edição de 1614 da Política acrescentando elucidativo prefácio sobre a vida e a obra do autor. Hoje, quando os cientistas sociais se preocupam em investigar o problema da liberdade em relação com a família, as comunidades étnicas e outras formas de associação, as idéias de Althusius sobre o constitucionalismo e a regulação filosófica dos processos políticos voltam a ganhar atualidade.

Edição, tradução (para o inglês) e introdução de Frederick S. Carney. Prefácio: Daniel J. Elazar. Tradução: Joubert de Oliveira Brízida

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Princípios de política aplicáveis a todos os governos
Benjamin Constant
ISBN: 978-85-7475-137-5; 936 pgs; R$ 94,90

— Escrito durante o ocaso da era napoleônica e publicado pela primeira vez em 1815, Princípios de política aplicáveis a todos os governos é uma exposição lúcida dos valores associados à defesa da liberdade, em oposição ao despotismo. Este livro contém alguns dos principais ensaios do autor, nos quais são desenvolvidos princípios relativos ao liberalismo econômico e ao papel do Estado. Sua obra exerceu grande influência no pensamento brasileiro durante o Império e nos primeiros anos da República, e teve em Dom Pedro II um de seus leitores mais atentos. Na opinião de José Guilherme Merquior, a teorização "rica e pensada" de Constant "marcou dois pontos decisivos: primeiro, a vindicação da liberdade moderna, e, segundo, a limitação institucional da liberdade". Para Tzvetan Todorov, Benjamin Constant "não é apenas um defensor da modernidade, com seus grandes princípios de autonomia e de liberdade individual; ele é também um de seus primeiros críticos. (...) Para pensar a democracia de hoje, só temos a ganhar se voltamos aos textos fundadores, entre os quais os Princípios de política ocupam lugar de honra". Edição: Etienne Hofmann. Tradução para o inglês: Dennis O' Keeffe. Introdução: Nicholas Capaldi. Tradução: Joubert de Oliveira Brízida.

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Sobre a História e outros ensaios
Michael Oakeshott
ISBN: 85-7475-071-9; 304 pgs; R$ 38,00

— Para Michael Oakeshott (1901-1990), o desafio específico dos historiadores é deixar de lado quaisquer preocupações de ordem prática ou ideológica em sua abordagem do passado, pois uma das maiores ilusões do ser humano é a crença em sistemas que nos levarão à perfeição final numa terra prometida. Desafio extremamente difícil, porque geralmente nosso interesse predominante não está na História em si, mas na política retrospectiva, e temos a tendência a transformar sistemas filosóficos em evangelhos. Sobre a História (1983) reúne cinco ensaios do pensador inglês que abordam temas centrais da ciência política, como a natureza da História, o primado da lei e a luta pelo poder inerente à condição humana. Oakeshott se destaca entre os filósofos políticos modernos por ter levado até os limites do entendimento humano suas dúvidas quanto aos fundamentos racionais. É um equívoco, porém, classificá-lo como cético; ao contrário, sua compreensão da liberdade decorre do fato de acreditar que não estamos condenados a “obter e gastar” — à “dança macabra das necessidades e satisfações” — e que existem diferentes maneiras de respondermos ao mundo. A original abordagem histórica deste pensador inglês foi forjada pela leitura de Sócrates, Santo Agostinho, Montaigne e Hobbes, mas ele não entendia os clássicos como repositórios de conhecimentos e lições de uso prático, e sim como introduções a modos de pensar.

Introdução: Timothy Fuller. Introdução à edição brasileira: Evaldo Cabral de Mello. Tradução: Renato Rezende

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